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Celso, podemos começar com uma pergunta direta: quem é você e qual a sua trajetória no setor sucroenergético?
Eu sou engenheiro e comecei minha carreira nos anos 1970, num período em que o Brasil estava extremamente desatualizado do ponto de vista tecnológico, tanto na área agronômica quanto na industrial. Na época, os centros mais avançados em tecnologia de cana-de-açúcar eram a África do Sul, a Austrália e os Estados Unidos.
Houve algum momento decisivo para o desenvolvimento tecnológico do Brasil?
Sem dúvida. Um dos pontos de virada foi a crise do petróleo de 1975. A partir dali, o Brasil começou a investir seriamente na produção de etanol e em novas tecnologias ligadas ao setor sucroenergético. Como parte desse esforço, um grupo de 18 engenheiros brasileiros, incluindo eu, foi enviado para passar um ano estudando nas Ilhas Maurício – uma ex-colônia britânica com forte tradição canavieira.
Como foi essa experiência nas Ilhas Maurício?
Transformadora. Eu fui com minha esposa e nossas duas filhas – a Renata com um ano e meio, e a Marina com apenas 40 dias de vida. Estudar fora naquele contexto nos mostrou o quanto ainda tínhamos que aprender. Mais do que absorver conteúdo técnico, o mais importante foi entender nossas limitações e voltar com sede de estudo e melhoria contínua.
E como você vê o Brasil hoje, décadas depois dessa experiência?
O Brasil se tornou uma referência mundial. Hoje, é o maior exportador de açúcar do mundo e desenvolveu tecnologias que vão muito além do açúcar. Produzimos etanol, biogás, biometano, e entramos no capítulo do etanol de segunda geração, que utiliza materiais como o bagaço da cana. Recentemente, também temos explorado o etanol de milho e até a produção de SAF – o combustível sustentável para aviação.
O setor segue evoluindo?
Sem dúvida. Esse é um setor dinâmico, e não podemos nos prender ao passado. Há 10 ou 15 anos, projetamos várias usinas novas sem prever a importância do biogás ou do etanol de milho – coisas que hoje são realidades. A lição é clara: o que está por vir vai mudar ainda mais rápido, e precisamos estar atentos.
Qual a mensagem que você deixaria para os jovens engenheiros e técnicos?
Estudem, se especializem e acreditem nesse setor. A engenharia e a inovação ainda têm muito espaço para crescer no Brasil. Nosso país já caminhou muito, mas ainda há muito por fazer. E é com conhecimento técnico sólido que vamos continuar avançando. E fiquem à vontade para interagir com o nosso site, no intuito de fortalecer o debate técnico de alto nivel.



